No levantamento realizado entre 21 e 25 de março – ou seja, após quase três meses de governo no 2.º mandato da petista –, só 12 por cento dos entrevistados disseram ver a gestão como boa ou ótima. Desde dezembro, quando o Ibope fez a pesquisa anterior, a taxa de aprovação ao governo caiu 28 pontos porcentuais. Já a de reprovação subiu 37 pontos.
Além de avaliar o governo federal, o Ibope colheu opiniões sobre o desempenho pessoal da presidente. Nesse caso, 78 por cento disseram desaprovar a maneira de governar de Dilma, e 19 por cento afirmaram o contrário.
O desgaste acelerado de Dilma e de seu governo contrasta com o aumento de popularidade registrado durante a campanha eleitoral do ano passado. Na época, entre junho e setembro, as taxas de aprovação à presidente e ao governo subiram sete e oito pontos porcentuais.
Resgate. A propaganda da campanha havia ajudado Dilma a recuperar parte da popularidade que havia perdido após os protestos de junho de 2013, marcados por manifestações de massa em grandes capitais.
Antes dos protestos, Dilma estava nas alturas: em março de 2013, segundo pesquisa CNI/Ibope, seu governo era aprovado por 63 por cento, taxa superior à obtida, no mesmo período da gestão, por seus antecessores Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
A explosão da impopularidade de Dilma no início de seu segundo mandato já havia sido revelada pelos institutos Datafolha e MDA, na segunda quinzena de março. As taxas de ruim e péssimo apontadas foram de 62 por cento e 65 por cento, respectivamente.
O apoio à presidente sofreu um processo de corrosão após a posse, com o anúncio de medidas de ajuste fiscal que contrariam o discurso de campanha. Somaram-se a isso a corrupção na Petrobrás e as denúncias de que parte do dinheiro desviado foi canalizada para o PT, em forma de doações oficiais ao partido. Em 15 de março, uma multidão foi às ruas mostrar sua insatisfação, na manifestação política mais volumosa em São Paulo desde a campanha das Diretas-Já, em 1984.